"O corpo reflete em
si, de forma precisa, a qualidade dos alimentos que recebe. Os processos
que nele ocorrem sob a influência de uma alimentação vegetariana são
totalmente distintos daqueles sob a influência de uma alimentação
carnívora.
A ciência já fez uma importante declaração pública ao
reconhecer oficialmente a nocividade da carne para o organismo humano.
Mais de três mil especialistas no combate ao câncer reunidos no 17º
Congresso Mundial do Câncer, em agosto de 1998, no Rio de Janeiro,
associaram o uso da carne vermelha a seis tipos específicos de tumor. Essa
constatação objetiva veio somar-se às informações de alguns pesquisadores
americanos que, pouco antes, haviam concluído serem os riscos de câncer no
intestino três vezes maiores para os que ingerem qualquer tipo de carne do
que para os vegetarianos.
Embora o efeito nocivo da carne na
alimentação humana fosse há tempos conhecido e seu uso fosse por muitos
radicalmente combatido, essas foram umas das primeiras declarações
oficiais de grande projeção da ciência ortodoxa ante tema tão decisivo
para a saúde e o bem-estar da raça humana.
Pelo seu magnetismo
peculiar, o alimento de origem animal introduz no organismo humano
determinadas tendências psíquicas , entre as quais o medo, a
agressividade, a competitividade e o egoísmo, que devem ser dominadas e
transcendidas no ser humano. Pela alimentação vegetariana, a pessoa se
torna muito mais capaz de pensamentos coesos e de sentimentos puros e fica
mais dócil e maleável à condução do seu próprio eu interno e superior. Por
outro lado, quem se alimenta preponderantemente de carne apresenta
pensamentos mais impulsivos e um sangue mais pesado e escuro, que carrega
em si fortes tendências instintivas.
A alimentação
carnívora introduz no organismo elementos que aos poucos se vão
transformando em substâncias estranhas, que seguem seu próprio caminho. E,
quando as substâncias seguem no corpo seu próprio caminho, elas exercem
influência nociva sobre o sistema nervoso, favorecendo o aparecimento, por
exemplo, de estados histéricos e epilépticos. Essa tendência pode ser
evitada pela alimentação vegetariana, que vitaliza e regenera o sistema
nervoso e colabora no fortalecimento interno do ser. A ingestão exclusiva
de vegetais propicia a clareza mental, desanuvia o cérebro e facilita a
inofensibilidade. Assim, quando decidimos controlar em nós as forças que
nos tiram a paz e a harmonia, a adoção do vegetarianismo é indicada.
Conjugada com a abstenção de álcool, de fumo e de drogas, traz, ainda,
alívio ao corpo e reforça a capacidade de superar obstáculos. As
recomendações para deixar de comer carne visam, pois, tanto à ampliação da
consciência individual da pessoa, quanto à evolução do ambiente onde ela
vive, pois a alimentação vegetariana a torna mais serena, mais afável e
menos possessiva.
O argumento
de ser a proteína vegetal de qualidade inferior à animal baseia-se em
certos preconceitos e dogmas rígidos da ciência, e na maioria das vezes em
pesquisas realizadas com produtos vegetais industrializados e refinados,
produtos que já perderam suas qualidades mais nobres. Uma dieta
vegetariana pura, rica e variada, baseada em cereais integrais,
leguminosas, hortaliças, frutas frescas e secas, nozes e castanhas — como
nos indica esse livro —, é capaz de fornecer todos os elementos
importantes, tais como proteínas e aminoácidos essenciais, carboidratos,
óleos, vitaminas, enzimas e sais minerais. Para que a transição, porém, de
um sistema alimentar para outro seja equilibrada e sadia, é preferível ir
por etapas, respeitar o próprio organismo, evitar extremos e buscar
orientações seguras de alguém experiente nesse campo. Nada disso,
entretanto, deveria ser motivo para deixar de fazer a transformação quando
se percebe essa necessidade. Quem ainda não pode ou não deseja fazê-la de
modo integral, que usufrua ao máximo o que de saudável já possa ir
incorporando e evite produtos reconhecidamente nocivos.
Muitos dos
que deixam de comer carne mantêm em sua dieta produtos de animais, como
ovos, laticínios, mas a autora preferiu ater-se à higiene mais completa.
Não que esses derivados sejam de todo prejudiciais à saúde, mas devem ser
evitados sempre que se almeje purificação mais profunda. (Nota: as
receitas que levam ovos estão marcadas com um sinal de
asterisco.) Deve-se , ademais, levar em conta que do ponto de
vista ético a alimentação vegetariana tem imenso valor, pois seus adeptos
deixam de contribuir para o morticínio constante e em larga escala de
animais perpetrado em nossa civilização."
Extraído do livro Cozinha
Vegetariana de Caroline Bergerot (Sefira) Editora Cultrix
Ltda.
Links para
sites vegetarianos
International Vegetarian
Union
|