História

As Origens do Templo Zu Lai[1]

O Templo Zu Lai, situado em Cotia na região metropolitana de São Paulo, é o primeiro templo do Monastério Fo Guang Shan[2] na América Latina.

Em abril de 1992, o Venerável Mestre Hsing Yün[3] fora convidado para oficiar a consagração do Templo Budista Kuan Yin, em São Paulo ocasião na qual estavam presentes à cerimônia, o senhor e a senhora Chang, generosos discípulos, que se encheram de alegria ao ouvir as palavras de Darma[4] do Venerável Mestre. Repetindo o gesto do nobre Anathapindika[5], o casal Chang doou o sítio da família que deu lugar ao templo denominado Zu Lai pelo Venerável Mestre. Na mesma oportunidade o Venerável então instituiu, também, a sede da Associação Internacional Luz de Buda (Blia) cujo primeiro presidente foi o upasaka[6] senhor Shih Tze Lin. Dentre a comitiva de monges que acompanhavam o Venerável Mestre, a Reverenda Jue Cheng (Mestra Sinceridade), ficou incumbida de aqui permanecer para propagar o Darma.

Ao ser criado, o Templo Zu Lai mantém a tradição de realizar regularmente as práticas e cerimônias das Escolas de pensamento budista Chan e Terra Pura[7], oficiando cerimônias de “Oito Preceitos” e retiros de meditação. Orientada pelos preceitos do Budismo Humanista, a ações que o Templo Zu Lai e a Blia empreendem, desde a época de sua criação, baseiam-se em quatro pilares estabelecidos pelo Venerável Mestre: o cultural, o educacional, o das ações sociais e o das práticas religiosas. Ambas as entidades buscam, também, realizar a integração das diversas tradições budistas no Brasil, participando de atividades conjuntas com outros templos, como as ocorridas nas comemorações do Vesak[8]. Até hoje, o Templo Zu Lai tem sido considerado o maior templo budista da América do Sul.

Ao longo de seus primeiros onze anos de existência, o Zu Lai veio realizando um número cada vez maior de atividades com afluência de discípulos e simpatizantes cada vez maior, expandindo-se de tal maneira que já não comportava tantas pessoas que a ele afloravam.

Os discípulos Shih Tze Lin, Liu Shie Lin e Hong Tsu Ho fizerem então o voto de construir um novo templo, contando com o esforço e a generosidade dos membros da Blia do Brasil, Paraguai, Argentina, Chile, Taiwan, China Continental, Estados Unidos e de tantas outras pessoas de vários outros cantos do mundo, vindo para tal a adquirir outros lotes de terrenos vizinhos.

Em maio de 2000, foi lançada a pedra fundamental da construção da nova edificação que viria a ter 10 mil m2 de área construída, em uma área total de 150.000 m2. Seu projeto foi inspirado no estilo arquitetônico oriental dos palácios da Dinastia Tang, integrando a um só tempo aspectos da arquitetura ocidental moderna. Os trabalhos foram desenvolvidos em conjunto por arquitetos chineses, taiwaneses, japoneses e brasileiros e as obras foram concluídas em outubro de 2003, fazendo surgir, assim, a “Terra Pura” do Budismo Humanista na América do Sul.

Dentro dos mesmos princípios do Monastério Fo Guang Shan, o Templo Zu Lai procura propagar o Darma, desenvolvendo talentos, trazendo benefícios à sociedade e purificando corações e mentes por meio da atuação cultural e educacional, das ações sociais e das práticas religiosas.

Seguindo ainda o caminho apontado pelo Venerável Mestre Hsing Yün, o templo busca desenvolver estudos diversos que se aplicam à vida do dia a dia além de “nacionalizar” os ensinamentos do Buda respeitando os aspectos da cultura local que acolhe a sua doutrina tornando possível a realização de projetos como: cursos de filosofia budista, grupos de estudo e círculos de leitura sobre o Darma, criação do “Projeto Filhos de Buda” por meio da Fundação de mesmo nome e através de seu Centro de Tradução que tem trabalhado na divulgação dos ensinamentos budistas em língua portuguesa.

Desde então, o Templo Zu Lai vem cumprindo sua missão em divulgar esses seus quatro pilares para solidificar e nacionalizar os princípios de um Budismo Humanista no Brasil.

E assim no dia 5 de outubro de 2003 o Venerável Mestre Hsing Yün retornou ao Brasil para então consagrar a nova edificação do Templo Zu Lai que em 27 de abril de 2012 comemorou seus vinte anos em solo brasileiro.

Monastério Fo Guang Shan, Kaohsiung, Taiwan

 

Atualizada em 14.12.2012

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[1] Zu Lai: (Tathagata sânscrito e páli; chinês: Zu Lai): é o epíteto que o Buda empregava com mais frequência quando se referia a si mesmo. Tatha quer dizer “assim” ou “tal” e “agata” significa “vir”. Porém, a palavra “gata” significa “ir”. Muitos questionam se o significado de Tathagata seria “assim ido (tatha-gata)” ou “assim vindo (tatha-agata)”. O Tathagata está inteiramente presente ou ele se foi completamente? Ele é completamente imanente ou transcendente? A melhor interpretação talvez seja a de que o título Tathagata esteja investido de ambos os sentidos, isto é, ser compassiva e completamente imanente, porém em sintonia com todos os fenômenos e ainda plenamente atento, sendo ao mesmo tempo transcendente e dotado da transcendente sabedoria. Contudo, comentadores do páli explicam o Tathagata como aquele que veio para o nosso meio trazendo a mensagem da imortalidade, para a qual Ele se “foi” por meio da sua própria prática do Caminho.

[2] Fo Guang Shan: (chinês: Montanha da Luz de Buda): ordem monástica fundada pelo Venerável Mestre Hsing Yün, em 1967, no condado de Kaohsiung, Taiwan, República da China.

[3] Hsing Yün: Enquanto aprendia a usar o dicionário no monastério, ainda jovem, Hsing Yün deparou-se com a expressão “hsing-yun-t’uan” (conglomerado de estrelas e nuvens). A definição usava palavras como “imenso, antigo e sem amarras”. Contemplando as aglomerações de incontáveis estrelas que pareciam nuvens, num período anterior à forma atual do Universo, Hsing Yün inspirou-se na expressão adotando-a por seu nome. Fazendo o voto de levar luz a todos os que se encontram na escuridão, ele se aventurou a estar sempre acima e além de preocupações e amarras.

[4] Darma (sânscrito): palavra etimologicamente derivada da raiz “dhr” que significa conduzir, suster, manter. É um termo de vasto sentido com três principais significados: (1) refere-se à Ordem Natural ou Lei Universal que sustenta o funcionamento do Universo nos planos físico e moral; (2) denota a totalidade dos ensinamentos budistas, uma vez que estes devem descrever e explicar, com exatidão, a Lei Universal subjacente, de forma que os indivíduos possam viver em harmonia com ela. É neste sentido que o termo aparece como uma das “Três Joias” (Triratna) e um dos componentes dos “Três Refúgios” (Trisharana), juntamente com o Buda e a Sanga; (3) é usado no sistema classificatório do Abidarma para se referir aos elementos singulares que coletivamente constituem o mundo empírico. Alguns desses elementos (darmas) são exteriores à pessoa que percebe, enquanto outros são processos psicológicos interiores e traços de caráter. É neste contexto que a Escola Madhyamaka nega a realidade substancial dos darmas, alegando que todos os fenômenos são “vazios” (shunyata) de realidade substancial.

[5] Anathapindika: Generoso mercador que viveu na época do Buda Shakyamuni, em Shravasti, na Índia. Despendeu vultosa quantia em ouro para adquirir terras nas quais construiria um retiro para o Buda. O príncipe Jeta não queria ceder parte de suas terras, mas quando soube da generosa intenção de Anathapindika, não só cedeu, como ofereceu uma floresta para que este construísse o mosteiro que recebeu o nome de Bosque Jetavana.

[6] Upasaka: uma das sete divisões da comunidade budista composta por: (1) monges (bhikshu); (2) monjas (bhikshuni); (3) discípulo laico do sexo masculino (upasaka); (4) discípula laica (upasika); (5) o monge noviço (shramanera); (6) a monja noviça (shramaneri) e (7) a jovem postulante ao noviciado (shikshamana).

[7] Escola Chan e Terra Pura: ao chegar à China, a tradição Maaiana ramificou-se em oito escolas: (1) Vinaya ou (Escola da Disciplina), cujos ensinamentos dão ênfase à disciplina monástica; Ritsu, em japonês; (2) Chan, que enfatiza a prática da meditação; Zen, em japonês; (3) Três Tratados, ou Sanlun, forma chinesa da escola indiana Madhyamaka, que se baseia nos tratados: Madhyamaka-karika, Dvadashadara-shastra, de Nagarjuna e Chata-shastra, de Aryadeva; Sanron, no Japão; (4) Terra Pura, ou Jingtu, cujos princípios estão baseados na devoção ao Buda Amitabha; Jodo-shu, no Japão; (5) Tiantai, ou Escola da Plataforma Celestial, que tem no Sutra Lótus (Saddharma-pundarika Sutra) o seu ensinamento primordial; Tendai, no Japão; (6) Marcas da Existência, ou Faxiang, forma chinesa da escola indiana Yogachara, ou Mente Apenas, centrada na noção de que “Tudo é ideação”, significando que o mundo exterior é apenas produto de nossa percepção, não tendo realidade; Hosso, no Japão; (7) Esotérica ou Tântrica; em chinês, Mi, literalmente “Escola dos Segredos”; no Japão, conhecida como Shingon; baseia-se no Sutra Maha-vairochana; a recitação de mantras, o uso de mudras e mandalas e as “cerimônias de permissão” elementos importantes de sua prática; (8) Guirlanda de Flores, ou Huayan, cuja ênfase está em que tudo se interpenetra: Buda, mente, todos os seres sencientes e tudo o mais são uma só e mesma coisa; conhecida como Kengon, no Japão.

[8] Vesak: Festival budista que celebra três importantes eventos na vida do Buda Shakyamuni ocorridos no mês lunar de Vesaka ou seja, seu nascimento, sua iluminação e sua passagem ao parinirvana (a morte física).

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